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Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Vais lá estar?

por Entre Voos, em 31.08.15

 

Amo-te!... tão simples, claro e profundo como isso… Conto as noites, eternidades de tempo em cada segundo sem ti… Será que vais lá estar, depois desta tempestade? Será que ainda te vais lembrar de quando te beijei lágrimas amargas, ou de quando te dei um abraço que recompôs todo o teu mundo?... Amo-te… É o que sei fazer melhor na vida…

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Mil anos...

por Entre Voos, em 30.08.15

 

Já viste a lua bonita que hoje apareceu no céu? Neste terminal de aeroporto, milhares de quilómetros nos separam e, no entanto, talvez estejamos a olhá-la ao mesmo tempo... Quanto tempo durará a doce memória da primeira lua que vimos juntos e à luz da qual demos o beijo que selou o nosso amor? Quando olhares para esta lua, hoje, pensarás em mim? Conseguirá este luar, hoje, ainda iluminar a memória dos corações de cartolina que um dia recortei e colei nas paredes do teu quarto, como forma de dizer que te amava para sempre?

 

Quanto tempo dura a eternidade que custa a passar um dia sem ti? São 24 horas, 8 anos ou uma vida inteira? Quanto tempo resta à lembrança do brilho dos teus olhos nos meus, ou ao fresco cristalino do teu riso nos ecos dos nossos tempos felizes? Quanto tempo se demora a impressão digital dos teus dedos interlaçados nos meus, ou a marca dos teus abraços na minha pele ainda quente de ti? Quanto tempo é a eternidade? Quanta eternidade cabe no amor que te sinto?

 

"Acho-te piada!", disse-te um dia entre dois olhares enquanto, sem saber, me entregava irremediavelmente a ti... Sempre te achei piada... “Piada” daquela que nos faz querer viver a vida inteira com essa pessoa ao nosso lado... Amo-te. Tenho saudades tuas... Quanto deste silêncio são gritos de raiva, ou frases caladas que me chamam? Quanto do teu silêncio já é esquecimento? Quanto do que fui em ti, ocupa o tempo dos teus dias? Quanto do que sou me pertence ainda, no esbater de uma vida que passou rápida demais?

 

Amo-te... Mesmo quando o teu silêncio me corta mais fundo do que quaisquer palavras de rejeição, amo-te nessa tua ausência grávida de explosões de silêncio ensurdecedor, um silêncio gelado, terminal, lapidar, um espaço negro e claustrofóbico, sem referências a que me agarrar senão às memórias de “nós” que se demoram em mim como o rasto indelével de um tornado emocional, um rasto rasgado fundo no meu coração, na minha pele, nas minhas mãos, nos meus olhos…

 

Diz-me: que silhueta o luar de hoje recortará na tua pele? Que reflexos habitarão os teus olhos? Que novas brisas apagarão a recordação dos meus beijos nos teus lábios? Que novos caminhos irás construir nos jardins que plantei para ti? Que novas flores ocuparão a jarra na mesa do hall de entrada da tua casa? Que beijos doces, tranquilos e quentes apaziguarão as tuas lágrimas de dor e de alegria? Nas noites com vento ainda te chega o som do “espanta espíritos” que me ofereceste? Quanto de mim ainda deixa saudades em ti?

 

És a minha força e a minha fraqueza, és a minha esperança e o meu desespero… és o amor da minha vida… és tudo o que resta em mim depois de teres partido... Foste sempre tu, amor. Serás sempre tu… a tua voz doce, os teus gestos determinados, a tua pele quente, o teu perfume natural, o teu sorriso intenso, o teu longo cabelo macio, o teu andar sedutor, a tua luz transcendente, a tua calma interior, a tua paz envolvente, o teu abraço reparador, o teu amor destemido, a tua energia contagiante, a tua alegria tão caraterística, o teu mimo, o chão da tua cozinha imaculadamente limpo, as nossas tardes de praia e as nossas noites de cinema... Continuas a estar ao meu lado em todas as viagens que faço... quero estar ao teu lado nas noites malucas de trabalho "que nunca mais acaba" só para te poder olhar nos olhos enquanto a minha mão se demora no teu braço dois segundos a mais do que o necessário, porque te amo, porque quero estar ao teu lado quando tiveres uma porta para arranjar, porque quero ir ter contigo a meio da semana nem que para isso tenha de fazer mil quilómetros, porque quero estar ao teu lado quando o brilho da lua renovar as memórias daquele primeiro dia...

 

Por falar nisso, já viste a lua bonita que hoje apareceu no céu?

Amote! Assim mesmo, sem hifen, como me ensinaste...

 

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Não quero manhãs sem ti...

por Entre Voos, em 21.08.15

 

Devagar, hoje de manhã, ao acordar, encarei o meu primeiro aniversário sem “nós”… Acordei de madrugada, eram 4:15 (5:15 em Lisboa), assaltado pelo eco do teu riso, pela memória do barulho que fazias ao te voltares na cama enquanto pedias para eu me afastar do teu lado, onde fui procurar o fresco da tua pele enquanto colocava o braço por cima de ti, ainda a dormitar… Não quero manhãs sem ti, não quero percorrer os dias sem a certeza da tua presença… Acordei com saudades do teu beijo pela manhã, acordei com saudades de ti… O voo que aqui me trouxe deixou-te para trás, lá, no teu canto, num silêncio em que a palavra "nós" me parece já não ter lugar...

 

Apesar da distância, continuas aqui bem perto de mim... Apetece-me escrever-te várias vezes ao dia e escrevo emails que apago, escrevo mensagens de SMS que nunca enviarei, e invade-me uma tristeza silenciosa por saber que não mais verei o teu carro parado na rua ao pé da minha casa… Não quero manhãs de aniversário sem ti... não quero quaisquer manhãs sem ti, não quero dias sem ti… 

 

Em casa, deixei a cama feita com os lençóis que, apesar de escolhidos por nós (brancos, com aquela única risca azul), nunca puderam acolher a tua pele macia e por isso nunca puderam entender porque é que a memória do teu perfume me deixa sempre um aperto no peito que progressivamente invade o meu coração e me faz abanar a cabeça para conter as lágrimas que me assaltam, lençóis que não conseguem entender porque é que agora durmo no lado que era o teu…

 

Tenho saudades tuas, saudades de te chamar “querida”, “amor”, saudade da tua voz, saudade de te ver a desfilar por casa com uma minha camisa branca, saudades dos teus mimos e de te mimar, saudades do teu abraço e de te abraçar, saudades de um toque teu na minha pele sedenta de ti, saudade dos teus lábios nos meus e da tua voz ao telefone, saudades da certeza de saber que, no final do dia, me aconchegavas sempre no teu coração e me enviavas uma mensagem de "boa noite!" como quem dizia que tinha esperado por mim a vida toda…

 

Gostava de voltar atrás, ao primeiro dia em que te vi entrar naquela sala, aquele dia que determinou o resto da minha vida. Devia ter ficado ali calado, de olhos fechados, sem me mexer, sem pensar na doce altivez da tua atitude, sem me permitir ser arrastado para o turbilhão do teu sorriso seguro, sem sentir a força dos teus passos decididos, sem sabermos, a entrar na minha vida… mas atrevi-me a olhar-te nos olhos e nunca mais consegui desistir de ti… Não consigo desistir de ti, das estrelas no céu que construímos, da nossa primeira lua cheia, dos nossos momentos deliciosos, não tenho como desistir de ti... Será que de vez em quando acordas a pensar onde eu estou e o que faço, ou se estou a pensar em ti? Será que conseguirias voltar a olhar-me como me olhaste na primeira vez que nos completámos e unimos num só? Será que se eu tivesse entrado na tua sala naquele dia, fechado a porta e ter-te beijado como me apetecia fazer, com o meu corpo a apertar-te e a minha alma a envolver-te, ainda serias minha? Será que aquela nossa primeira lua cheia, que desenhou o teu corpo na minha cama e na minha vida, a lua que nos fez desistir de tudo por cada um de nós, deixou de existir dentro de ti? Nos teus sonhos, a tua pele ainda procura a minha? Será que nas noites frias te deitas no “meu” lado da cama? Será que lutas para não dizer o meu nome em voz alta quando mais sentes a minha falta?

 

Gostava de voltar atrás, a esse primeiro dia, pegar-te na mão e confessar que te conhecia há mil vidas atrás, que andava à tua procura há séculos e agora que te tinha encontrado nunca mais faria nada que me levasse a perder-te… Gostava de voltar a esse dia de lua cheia e pedir para te lembrares bem de todos os momentos bons da nossa vida, do quanto crescemos juntos e que, acontecesse o que acontecesse, te lembrasses sempre do quanto te amo e do quanto te admiro…

 

Mas a verdade é que acordei neste meu dia de aniversário sem ti e não sei o que fazer, não sei onde te procurar, agora que os caminhos que te traziam até mim estão a ser lentamente apagados pela crueldade do tempo e pela ausência dos teus passos… “Uma das decisões mais difíceis na vida, é escolher entre afastarmo-nos ou tentar que dê certo mais uma vez” (Ziad Abdelnour). Foste a melhor coisa que me aconteceu. Foste o melhor de mim. E se é verdade de cada um de nós é responsável pelas escolhas que faz na vida, eu escolhi-te a ti. Mil vezes, escolho-te a ti. Sempre...

 

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Não há em mim silêncios nem espaços vazios...

por Entre Voos, em 03.08.15

 

Os gestos diários e demorados que desajeitadamente exponho de forma mecânica, escondem a dor que cada movimento me provoca, na certeza da sua inutilidade: para onde ir quando deixaste de ser o destino de todas as minhas viagens?... Para onde ir quando se falhou a última paragem e não há como regressar?.. Continuar apenas porque parar é pior? “Que fazer quando tudo arde”, quando tudo nos queima por dentro e, mesmo assim, temos de sobreviver?

 

O silêncio que me rodeia é preenchido pelo eco dos teus passos elegantes, recortados aqui e ali pelo teu riso solto que um dia tudo encheu... Cruel, o teu perfume inconfundível teima em se demorar pelos cantos do que ainda sou, deixando-me cheio de ti. Não há em mim, por isso, silêncios nem espaços vazios: aqui um sorriso triste pendurado no canto da boca, ali uma luz forte que nada ilumina, recortes de momentos felizes espalhados pelo chão da sala e pelas paredes do quarto, cheiro de crepes pela manhã que se arrastam na cozinha, sons perdidos das tardes de abraços no exíguo sofá branco, demasiado grande para o nosso abraço apertado, demasiado pequeno para o mundo que íamos descobrindo…

 

Que saudades de te ter aqui, amor, quando tudo era simples e a felicidade estava na luz dos teus olhos… que saudades de te ter ao meu lado sentindo-me completo, em harmonia com a essência do que sou, enfim, em paz, sabes? Saudades dos momentos em que não precisava de mais nada porque o meu mundo estava ali a olhar para mim e a sorrir-me…

 

Percorro agora estas estradas sem olhar para trás (não posso olhar para trás, não me atrevo a olhar para trás), estradas que, sei, me levam cada vez para mais longe de ti, mas sem alternativa: “onde não puderes amar, não te demores” (Frida Kahlo)… Como arrancar a razão de ser do nosso coração, da nossa alma, da nossa pele e continuar vivo? Que nos aconteceu?

 

Nesse barco, deitei tudo fora até só ficar a minha alma nua, que sempre foi tua, o meu amor a descoberto, o meu amor feito olhos brilhantes, o meu amor feito mimo de abraços apertados, flores que na realidade queriam ser jardins, dedicação que queria ser prova, aceitação do que me ias dando e, finalmente, resignação por saber que aquilo era o teu “tudo o que é possível”… Mas, eu compreendo-te: depois de termos vivido a eternidade das estrelas nos olhos de um amor como o nosso, como aceitar olhar apenas para as fotografias do que fomos? Como sobreviver entre momentos fugazes de alegria ensurdecedora logo seguidos de silêncios que nos apunhalam devagar, cada vez mais fundo e metodicamente, silêncios que nos consomem a força vital? Como conseguir acomodar todo o amor de que somos feitos, numa nota de rodapé da página de um livro que já não conta a nossa história?...

 

Vou absorvendo devagar, primeiro na pele que se arrepia com a memória do teu toque, depois na alma que um dia se iluminou com a tua chama, o perdão das escolhas, a inevitabilidade das consequências das nossas decisões... Vou mergulhando nessa perda, devagar... O mais difícil são as memórias, o continuar a ver-te nos olhos de cada estranho, o ouvir-te rir em todos os espaços, o não conseguir deixar de desejar que aquele sorriso ali fosse o teu, que aquela voz fosse a tua, que te aproximasses de mim com o teu habitual beijo pontuado de amor e desejo… Por isso, não, ainda não há em mim silêncios nem espaços vazios: a imensidão da tua ausência ainda aqui habita e se demora…

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