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Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

A casa da praia...

por Entre Voos, em 20.01.16

 

A casa da praia é um sítio mágico... Acordo tranquilo, com um dia inteiro, novo, pela frente. Quieto, absorvo o calor que me aconchega por baixo do edredão e, lentamente, vou tomando consciência do som das vagas que se deitam incansavelmente na areia da praia, lá ao fundo. Este som ritmado, tranquilizante, energizante, está sempre presente aqui, na casa da praia: abraça-nos com a inevitabilidade dos dias e das noites, a banda sonora ideal para compor a essência solitária no encontro comigo próprio. Medito, dando as boas vindas ao que o dia me ofertará…

 

Depois do pequeno almoço frugal, inicio uma caminhada na descoberta de novos caminhos de areia, pedras e erva rasteira, por entre pinheiros e canas, ao encontro da praia prometida no espanto sonoro entregue pela brisa fria que me deixa as mãos e o rosto vermelhos. Dentro de mim sinto a calma a tomar conta dos pensamentos e até os meus passos determinados se tornam demorados, alinhado que estou com o agora, com os cheiros a mar, a verde, a vida, a espaço, a tempo, a ti…

 

Ao chegar à praia não me teria admirado ver-te ali, sabes?, naquela duna, sentada numa toalha para te protegeres da humidade matinal que a areia absorveu, embrulhada no teu casaco quente, confortável, com o vento a alisar-te o cabelo, os olhos entregues à paz que o mar devolve, refugiada no teu jardim interior, naquele sítio para onde um dia me levaste pela mão e onde descobrimos o sentido de todas as coisas… Percorro a praia devagar, pensativo, sentindo a areia debaixo dos meus pés, sentindo o frio, sentindo o vento, sentindo a força do mar que, determinado, vai acariciando a terra e pacientemente beijando a areia, dia após dia, após dia, após dia...

 

Em casa, na ampla sala que se abre para a praia, dispersa-se no ar a fragância do incenso a Nag Champa que acabei de acender dentro daquela pequena caixa de madeira rendilhada, trazendo-te para o meu lado… Sinto que as nossas vidas são preciosas e, enquanto o meu olhar se dirige para lá - para aquele lugar eterno que só nós conhecemos -, uma calma tépida, pacificadora e empática, submerge os meus sentidos e arrasta-me para a cadência segura das vagas que se deitam continuamente na areia da praia, lá ao fundo, mágica, em que todos os caminhos me levam para ti, sem urgência nem hesitações, como sempre foi... 

 

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