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Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Mil anos...

por Entre Voos, em 30.08.15

 

Já viste a lua bonita que hoje apareceu no céu? Neste terminal de aeroporto, milhares de quilómetros nos separam e, no entanto, talvez estejamos a olhá-la ao mesmo tempo... Quanto tempo durará a doce memória da primeira lua que vimos juntos e à luz da qual demos o beijo que selou o nosso amor? Quando olhares para esta lua, hoje, pensarás em mim? Conseguirá este luar, hoje, ainda iluminar a memória dos corações de cartolina que um dia recortei e colei nas paredes do teu quarto, como forma de dizer que te amava para sempre?

 

Quanto tempo dura a eternidade que custa a passar um dia sem ti? São 24 horas, 8 anos ou uma vida inteira? Quanto tempo resta à lembrança do brilho dos teus olhos nos meus, ou ao fresco cristalino do teu riso nos ecos dos nossos tempos felizes? Quanto tempo se demora a impressão digital dos teus dedos interlaçados nos meus, ou a marca dos teus abraços na minha pele ainda quente de ti? Quanto tempo é a eternidade? Quanta eternidade cabe no amor que te sinto?

 

"Acho-te piada!", disse-te um dia entre dois olhares enquanto, sem saber, me entregava irremediavelmente a ti... Sempre te achei piada... “Piada” daquela que nos faz querer viver a vida inteira com essa pessoa ao nosso lado... Amo-te. Tenho saudades tuas... Quanto deste silêncio são gritos de raiva, ou frases caladas que me chamam? Quanto do teu silêncio já é esquecimento? Quanto do que fui em ti, ocupa o tempo dos teus dias? Quanto do que sou me pertence ainda, no esbater de uma vida que passou rápida demais?

 

Amo-te... Mesmo quando o teu silêncio me corta mais fundo do que quaisquer palavras de rejeição, amo-te nessa tua ausência grávida de explosões de silêncio ensurdecedor, um silêncio gelado, terminal, lapidar, um espaço negro e claustrofóbico, sem referências a que me agarrar senão às memórias de “nós” que se demoram em mim como o rasto indelével de um tornado emocional, um rasto rasgado fundo no meu coração, na minha pele, nas minhas mãos, nos meus olhos…

 

Diz-me: que silhueta o luar de hoje recortará na tua pele? Que reflexos habitarão os teus olhos? Que novas brisas apagarão a recordação dos meus beijos nos teus lábios? Que novos caminhos irás construir nos jardins que plantei para ti? Que novas flores ocuparão a jarra na mesa do hall de entrada da tua casa? Que beijos doces, tranquilos e quentes apaziguarão as tuas lágrimas de dor e de alegria? Nas noites com vento ainda te chega o som do “espanta espíritos” que me ofereceste? Quanto de mim ainda deixa saudades em ti?

 

És a minha força e a minha fraqueza, és a minha esperança e o meu desespero… és o amor da minha vida… és tudo o que resta em mim depois de teres partido... Foste sempre tu, amor. Serás sempre tu… a tua voz doce, os teus gestos determinados, a tua pele quente, o teu perfume natural, o teu sorriso intenso, o teu longo cabelo macio, o teu andar sedutor, a tua luz transcendente, a tua calma interior, a tua paz envolvente, o teu abraço reparador, o teu amor destemido, a tua energia contagiante, a tua alegria tão caraterística, o teu mimo, o chão da tua cozinha imaculadamente limpo, as nossas tardes de praia e as nossas noites de cinema... Continuas a estar ao meu lado em todas as viagens que faço... quero estar ao teu lado nas noites malucas de trabalho "que nunca mais acaba" só para te poder olhar nos olhos enquanto a minha mão se demora no teu braço dois segundos a mais do que o necessário, porque te amo, porque quero estar ao teu lado quando tiveres uma porta para arranjar, porque quero ir ter contigo a meio da semana nem que para isso tenha de fazer mil quilómetros, porque quero estar ao teu lado quando o brilho da lua renovar as memórias daquele primeiro dia...

 

Por falar nisso, já viste a lua bonita que hoje apareceu no céu?

Amote! Assim mesmo, sem hifen, como me ensinaste...

 

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