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Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Não quero manhãs sem ti...

por Entre Voos, em 21.08.15

 

Devagar, hoje de manhã, ao acordar, encarei o meu primeiro aniversário sem “nós”… Acordei de madrugada, eram 4:15 (5:15 em Lisboa), assaltado pelo eco do teu riso, pela memória do barulho que fazias ao te voltares na cama enquanto pedias para eu me afastar do teu lado, onde fui procurar o fresco da tua pele enquanto colocava o braço por cima de ti, ainda a dormitar… Não quero manhãs sem ti, não quero percorrer os dias sem a certeza da tua presença… Acordei com saudades do teu beijo pela manhã, acordei com saudades de ti… O voo que aqui me trouxe deixou-te para trás, lá, no teu canto, num silêncio em que a palavra "nós" me parece já não ter lugar...

 

Apesar da distância, continuas aqui bem perto de mim... Apetece-me escrever-te várias vezes ao dia e escrevo emails que apago, escrevo mensagens de SMS que nunca enviarei, e invade-me uma tristeza silenciosa por saber que não mais verei o teu carro parado na rua ao pé da minha casa… Não quero manhãs de aniversário sem ti... não quero quaisquer manhãs sem ti, não quero dias sem ti… 

 

Em casa, deixei a cama feita com os lençóis que, apesar de escolhidos por nós (brancos, com aquela única risca azul), nunca puderam acolher a tua pele macia e por isso nunca puderam entender porque é que a memória do teu perfume me deixa sempre um aperto no peito que progressivamente invade o meu coração e me faz abanar a cabeça para conter as lágrimas que me assaltam, lençóis que não conseguem entender porque é que agora durmo no lado que era o teu…

 

Tenho saudades tuas, saudades de te chamar “querida”, “amor”, saudade da tua voz, saudade de te ver a desfilar por casa com uma minha camisa branca, saudades dos teus mimos e de te mimar, saudades do teu abraço e de te abraçar, saudades de um toque teu na minha pele sedenta de ti, saudade dos teus lábios nos meus e da tua voz ao telefone, saudades da certeza de saber que, no final do dia, me aconchegavas sempre no teu coração e me enviavas uma mensagem de "boa noite!" como quem dizia que tinha esperado por mim a vida toda…

 

Gostava de voltar atrás, ao primeiro dia em que te vi entrar naquela sala, aquele dia que determinou o resto da minha vida. Devia ter ficado ali calado, de olhos fechados, sem me mexer, sem pensar na doce altivez da tua atitude, sem me permitir ser arrastado para o turbilhão do teu sorriso seguro, sem sentir a força dos teus passos decididos, sem sabermos, a entrar na minha vida… mas atrevi-me a olhar-te nos olhos e nunca mais consegui desistir de ti… Não consigo desistir de ti, das estrelas no céu que construímos, da nossa primeira lua cheia, dos nossos momentos deliciosos, não tenho como desistir de ti... Será que de vez em quando acordas a pensar onde eu estou e o que faço, ou se estou a pensar em ti? Será que conseguirias voltar a olhar-me como me olhaste na primeira vez que nos completámos e unimos num só? Será que se eu tivesse entrado na tua sala naquele dia, fechado a porta e ter-te beijado como me apetecia fazer, com o meu corpo a apertar-te e a minha alma a envolver-te, ainda serias minha? Será que aquela nossa primeira lua cheia, que desenhou o teu corpo na minha cama e na minha vida, a lua que nos fez desistir de tudo por cada um de nós, deixou de existir dentro de ti? Nos teus sonhos, a tua pele ainda procura a minha? Será que nas noites frias te deitas no “meu” lado da cama? Será que lutas para não dizer o meu nome em voz alta quando mais sentes a minha falta?

 

Gostava de voltar atrás, a esse primeiro dia, pegar-te na mão e confessar que te conhecia há mil vidas atrás, que andava à tua procura há séculos e agora que te tinha encontrado nunca mais faria nada que me levasse a perder-te… Gostava de voltar a esse dia de lua cheia e pedir para te lembrares bem de todos os momentos bons da nossa vida, do quanto crescemos juntos e que, acontecesse o que acontecesse, te lembrasses sempre do quanto te amo e do quanto te admiro…

 

Mas a verdade é que acordei neste meu dia de aniversário sem ti e não sei o que fazer, não sei onde te procurar, agora que os caminhos que te traziam até mim estão a ser lentamente apagados pela crueldade do tempo e pela ausência dos teus passos… “Uma das decisões mais difíceis na vida, é escolher entre afastarmo-nos ou tentar que dê certo mais uma vez” (Ziad Abdelnour). Foste a melhor coisa que me aconteceu. Foste o melhor de mim. E se é verdade de cada um de nós é responsável pelas escolhas que faz na vida, eu escolhi-te a ti. Mil vezes, escolho-te a ti. Sempre...

 

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