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Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Finalmente, domingo de manhã...

por Entre Voos, em 22.11.15

 

Finalmente, domingo de manhã…. Volto a deitar-me ao teu lado e a tua respiração pausada tranquiliza-me e ilumina-me o rosto para mais uma manhã de domingo, como se fosse a primeira vez que acordássemos juntos… As memórias da noite de sábado estão visíveis no chão do quarto, espalhadas como só amantes o sabem fazer… O lençol branco que comprámos juntos, com a fina risca azul, cobre por fim a tua pele nua, branca como as nuvens, macia como seda, saciada de vida como um prado acabado de regar…

 

Finalmente um domingo de manhã, contigo ao meu lado…Como foi que te disse ontem? “Quero acordar tarde, com o cheiro do teu corpo a impregnar a minha pele, com os teus dedos interlaçados nos meus e um sorriso enorme no rosto! Quero a eternidade de um dia inteiro à nossa frente, tu ao meu lado, pequeno-almoço tardio, quero a promessa de uma tarde que te perpetuará no meu abraço, uma tarde de sol no parque ribeirinho, a tomar café e a olhar para ti, deliciado”.. e é isso…

 

Finalmente domingo, uma manhã com a tua paz aninhada no meu abraço, com a tua pele a vestir-me, com a tua alma protegida pela minha, com o meu olhar a descansar no teu rosto, com o meu coração a bater dentro do teu peito, com a eternidade aqui mesmo ao pé de nós… Beijo-te a face morna, e adoro a forma como abres os olhos, devagar, e imediatamente escondes o rosto com as mãos, a rir baixinho, e te enroscas em mim como quem descobre que sou uma parte sua, como se a coisa mais surpreendente do mundo fosse descobrires no meu olhar, todos os dias de manhã, que te adoro e te pertenço...

 

Finalmente uma manhã de domingo para nós!... Com um sorriso no rosto, beijo-te ao de leve nos olhos, depois nos lábios, depois segredo-te ao ouvido, num murmúrio, todos as exclamações de prazer que construímos na noite de ontem, enquanto tu finges que me tentas afastar para, ao invés, te aninhares completamente nesta vida que vamos construindo, inundada com o teu distinto perfume, com a bondade no teu olhar, com a certeza das nossas mãos entrelaçadas, com a inevitabilidade de um amor antigo… Levanto-me para ir buscar o pequeno‑almoço que momentos antes tinha preparado para nós, como gostas: torradas com pouca manteiga, omelete com orégãos, chá verde com gengibre, dois kiwis descascados e fatiados, um post-it amarelo com um coração desenhado dentro de uma janela, enquanto um incenso queima lentamente no corredor…

 

Finalmente, domingo de manhã, e sorrio…. O som da tua voz ao meu lado, enquanto conversamos sobre tudo e sobre nada, serena-me, completa a minha alma, preenche o quarto, preenche a vida…. E aqui estamos, eternos, completos, como foi escrito nas estrelas, com o tempo parado lá fora e com o sol a brilhar aqui dentro, no paraíso…

 

 

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Noites de sábado...

por Entre Voos, em 19.11.15

 

“Domingo! Quero um amor como as manhãs de domingo… Como na canção, sabes?” – disse-lhe logo que entrou em casa… No aparador da entrada, o pequeno buda estava ladeado por duas velas acesas, enquanto à sua frente, lentamente, o incenso incandescente libertava a habitual fragância Nag Champa que ela me habituou a preferir e, na cozinha, a mesa estava já preparada e os castiçais acesos para o nosso ritual do jantar de sábado. Riu-se alto, levando a mão ao cabelo, sedutora como só ela sabe ser, fitando-me de cima dos sapatos pretos de salto alto, camisa branca suficientemente insinuante para eu perceber o sutiã que torneava os seus seios voluptuosos, a saia preta, justa, meias que deixavam adivinhar provocantes ligas, como ela sabia que eu adorava…

 

“Quero acordar tarde, com o cheiro do teu corpo a impregnar a minha pele, com os teus dedos interlaçados nos meus e um sorriso enorme no rosto! Quero a eternidade de um dia inteiro à nossa frente, tu ao meu lado, pequeno-almoço tardio, com crepes, Nutella e a confusão dos filhos, quero a promessa de uma tarde que te perpetuará no meu abraço, uma tarde de sol no parque ribeirinho, a tomar café e a olhar para ti, deliciado…” – reclamei, mas já a sorrir com a promessa denunciada pelos seus gestos…

 

Ela avançou para mim, desabotoando um botão da camisa, depois outro, e outro ainda… “Mas não hoje, certo?” – perguntou, desafiadora, enquanto me empurrava, explícita, para o quarto – “Hoje eu não te quero aí, deliciado, a olhar para mim... Não agora...” – continuou, mordendo o lábio inferior, deixando cair propositadamente a saia, materializando as ligas que idealizei, concretizando o meu desejo libidinoso… “Hoje quero-te para mim, hoje quero possuir-te, hoje quero usar-te para meu prazer… e, por favor, deixa a música a tocar…”

 

Não tirou os seus olhos dos meus enquanto, decidida, me desabotoava a camisa sem me deixar tocar-lhe… O calor do seu olhar acendeu-me o desejo como a sede que invade todos os sentidos de um náufrago. “Amanhã…” – sussurrou-me ao ouvido – “Amanhã teremos a nossa manhã de domingo… prometo… mas não hoje...” disse, enquanto o seu corpo nu, serpenteando, deslizava para cima do meu e, deliciosamente, me ensinava todas as variações do amor pecaminoso de uma noite de sábado…

 

 

 

 

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Quarta-feira era o nosso dia...

por Entre Voos, em 16.09.15

 

 

Quarta-feira era o nosso dia, lembras-te? De véspera já o dia me corria melhor com a antecipação do nosso encontro... Quando chegavas, antes de jantar, eu já tinha preparado as coisas: no ar sentia-se o aroma do Nagchampa Argabatti que coloquei a queimar pouco antes de entrares; na sala as almofadas estavam colocadas no sítio certo, por forma a tornar a nossa conversa após o jantar mais confortável; a comida já estava no forno, o salmão com limão e sal, como gostavas, a batata assada com orégãos e a música do John Mayer tocava tranquila, íntima, quente…

 

Chegavas, sorrias, colocavas as tuas coisas no aparador do corredor, logo a seguir à porta da entrada, após o que nos abraçávamos e beijávamos como se tivesse passado um mês, e não apenas dois dias, desde a última vez que estivéramos juntos... Depois pegava-te pela mão, íamos para a cozinha onde preparavas a tua habitual salada e colocávamos a conversa em dia: ao “Como te correu o dia, querida?” respondias “Oh, correu bem, cansativo, mas correu bem…” e olhavas para mim com aquele brilho no olhar que transmitia toda a alegria que sentias por ser professora, toda a responsabilidade e orgulho que colocavas no ato de ensinar, apesar dos mais de 90 minutos que durava a tua viagem para a escola, em cada sentido. “E o teu?” - perguntavas-me - “Fantástico, amor, corre sempre bem!” e ali ficávamos a conversar sobre o nosso dia, sobre o tempo, sobre os nossos meninos, ali pedias-me ajuda para resolver a tua dificuldade com aqueles problemas nas fórmulas do ficheiro Excel e decidíamos o que íamos fazer no próximo fim-de-semana… e eu amava-te ali, em pé, a olhar para ti, embevecido, amava-te nos teus gestos calmos enquanto cortavas a salada, amava-te nos sorrisos descontraídos que me oferecias, amava-te na tua voz que me tranquilizava a alma, amava-te na forma como os teus lábios compunham as palavras que proferias, amava-te na forma como te rias enquanto dizias que o teu carro só estava a gastar 4.5 aos 100, e então eu amava a cumplicidade que nos unia, amava-nos por saber que tudo estava bem, que nos tínhamos um ao outro e que nada mais importava, amava-nos por saber que tudo o que acontecia naquela cozinha tinha sido forjado através dos tempos e que era inevitável o nosso encontro, amava-nos porque sempre foi inevitável o nosso encontro: todo o universo conspirou para que nos encontrássemos em cada quarta-feira na minha cozinha e para que nos amássemos nos pequenos gestos e nas coisas simples da vida como tu a cortar a salada e eu a olhar o peixe no forno… Lembras-te?

 

Depois sentávamo-nos à mesa de madeira de bétula que tinha encostada à parede da cozinha, os pratos brancos, quadrados, que antes de chegares já tinha deixado sobre a toalha preta, dispostos simetricamente para nos sentarmos um de frente para o outro, e eu servia-nos uma concha do creme de peixe (delicioso) que tinha preparado e que sabia que só comias para eu não ficar triste (mas eu não ficaria triste, de qualquer maneira), mais tarde dirias que o peixe estava delicioso enquanto a minha mão deslizava em cima da mesa para ir ao encontro da tua pois os segundos intermináveis que tinham passado desde o meu último toque na tua pele tornavam insuportável a distância entre nós…

 

Antes da sobremesa, depois de levantar os pratos, aproximava-me de ti, da tua cadeira, virava-te para mim, sentava-me no teu colo e, enquanto segurava delicadamente o teu rosto bonito entre as minhas duas mãos, olhava-te nos olhos, dizia que te amava e depois, antes que pudesses sequer pensar em dizer alguma coisa, entregava-me aos teus lábios quentes que esperavam, húmidos, por mim...

 

O ritual do café Nespresso tomado na sala, tu sentada no sofá branco, eu sentado no chão em cima de uma almofada, tu a insistires para que eu me sentasse ao teu lado e eu sem te conseguir dizer que dali te podia abarcar toda, que dali conseguia abraçar toda a nossa vida apenas olhando para ti, que dali eu me maravilhava ao ter a certeza que eras tu quem estava sentada no meu sofá branco, eu deslumbrado por te ter ali, eu a olhar para nós, a agradecer em silêncio tudo o que tínhamos conseguido construir juntos, eu ali sentado naquela almofada no chão a amar-nos devagar, a saborear-te em cada gesto que fazias para afastar o cabelo para trás da orelha ou a ajustar os óculos (sabes que te adoro ver de óculos?) com a mão direita, nós a amarmo-nos enquanto tomavas o teu café e o John Mayer dedilhava o “Covered In Rain”, eu a apaixonar-me cada vez mais e mais por ti, eu naquela almofada no chão da sala e tu meio deitada no meu sofá branco somos o casal mais feliz do mundo…

 

E então peguei-te delicadamente na mão, tu sem ofereceres resistência (sabias que te ia levar para o nosso quarto, não sabias amor?), enquanto lá fora a chuva que começou a cair traça riscos de água nas janelas largas, lavando o cansaço dos nossos corpos, lavando as preocupações e celebrando o nosso amor: hoje é quarta-feira à noite, o nosso dia…

 

Lembras-te?

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Um ritual...

por Entre Voos, em 01.07.13

 

Amo-te. Quero dizer: admiro-te... És uma mulher fantástica, inteligente, batalhadora, sensual, bonita por dentro, deliciosa por fora, elegante, trabalhadora, amiga, única, especial… mas para mim significas o que de melhor me aconteceu na vida e não há palavras para o descrever... Gostava que um destes dias colocasses a mão sobre o meu coração, fechasses os olhos, e conseguisses sentir tudo o que me fazes sentir. Sentirias certamente a vasta imensidão de um mar, ora tranquilo, ora revolto mas, abaixo da superfície, sempre a firmeza de te amar e de querer estar ao teu lado. Sentirias que o toque da tua pele é para mim a brisa fresca de um dia de verão, macia e envolvente, regeneradora, sentirias que as tuas palavras são o murmúrio constante e tranquilo que me acalma, e que a alegria dos teus olhos me ajudam a ver sempre o lado bom da vida…

 

Amo-te muito... Todos os dias, tenho um ritual que me equilibra e me ajuda a enfrentar as adversidades diárias, os aviões perdidos, a espera interminável até te voltar a ver... Eu digo-te: todas as noites que passo longe de ti, retiro a aliança do dedo e, com esse gesto, agradeço o dia fantástico que me proporcionaste, agradeço a tua paciência, as palavras doces e os momentos que passámos juntos. Todos os dias, com esse gesto, agradeço o crescimento que me proporcionaste e o facto de me tornares a cada dia uma pessoa melhor... Depois sonho contigo :o). De manhã acordo com um sorriso nos lábios e coloco a aliança novamente no dedo anelar esquerdo, desejando merecer os momentos que irás partilhar nesse novo dia comigo e desejando contribuir também para o teu equilíbrio e paz interior. Essa aliança no meu dedo brilha ao longo do dia como um farol que me trará sempre para casa, para ti, mesmo durante as pequenas grandes tempestades esgotantes da vida diária... Dou por mim a tocar nela ao longo do dia, como se ao tocar-lhe te pudesse tocar, te pudesse fazer sentir que estou a pensar em ti, longe, mas à distância infinitésima de um sussurro de coração… toco-lhe, e a paz dos teus olhos acalma-me, toco-lhe e sorrio, por vezes até dou uma gargalhada tonta, tal é o sentimento de alegria e amor que me explode no coração e precisa de espaço fora do peito... Amo-te muito. :o)

 

Amo-te como nunca amei ninguém e isso é assustador porque me deixa frágil e à espera… e eu nunca tive de esperar, sempre fui dos que faziam esperar :o) Nunca fui de amar, sempre fui de ser amado. Nunca fui de ficar com o coração apertado como fico contigo sempre que sorris para mim com esse ar de desafio sedutor. Estou apaixonado... Estou apaixonado por ti, amor... para sempre...

 

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