Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Tenho-te saudades...

por Entre Voos, em 22.08.13

 

Acordei devagar, sonolento e apaixonado. Hoje não quero abrir os olhos: quero pensar que a seda da tua camisa de dormir é na realidade a textura da tua pele macia, na cama ainda morna da temperatura do teu corpo. Não quero fazer a cama: quero que o teu perfume perdure nos lençóis e embriagar-me na ilusão da tua presença. Hoje não quero fazer mais nada senão estar aqui, deitado, sonolento e de olhos fechados, para estar tranquilamente contigo.

 

A persiana mal fechada faz ondular a claridade do dia a nascer na nossa cama. Confundo a recordação de ti com a certeza de estares ao meu lado. “Cheiras bem”, digo-te, sorrindo da maneira que tu conheces e que te apaixonou naquele dia. “Dizes sempre isso!”, responderias tu, invariavelmente sedutora, fazendo-me uma carícia no rosto… Que outra coisa posso eu dizer senão que o teu cheiro me abriga o desejo, me embriaga os sentidos e me faz desejar que cada dia não acabe nunca? Que outra coisa posso fazer senão amar-te como quem mata a uma sede infinita com uma fresca água cristalina? Que outra coisa posso fazer senão ter saudades tuas como se cada segundo afastados fosse um ano completo de ausência?

 

Viro-me de lado, para a parede, e ainda sinto os braços que deixaste à minha volta pouco antes de saíres com cuidado para não me acordares. Mas eu acordei, acordo sempre, mesmo que não abra os olhos e que me mantenha em silêncio, só para disfrutar de ti em mim. Acordei no dia em que disseste “Talvez, vamos ver!”… não dizes “Sim” facilmente, é algo a que já me habituei. Às minhas perguntas respondes com outras ou assumes gestos que me tiram as palavras e o fôlego, guiando-me vacilante, entre a razão da realidade e a emoção do que poderia ser.

 

Acordei devagar, sonolento e apaixonado por ti... Como é possível que isso me tenha acontecido? Quer dizer, logo a mim!! Como é possível esta tempestade silenciosa, esta tranquilidade superficial que só acalma verdadeiramente quando os meus olhos encontram os teus e te veem sorrir nos meus? Não quero levantar-me da cama hoje: quero prolongar o teu abraço no meu corpo nu, fixar o teu cheiro na minha pele, quero transbordar lentamente para o lago ondulante e luminoso que escorre da persiana do meu quarto e me enche os sentidos com a memória da tua presença na minha vida. Não quero fazer a nossa cama hoje: quero amar-te, aqui e agora, sempre.

 

És tão bonita para mim... Tenho-te saudades…

Licença Creative Commons

Direitos

Licença Creative Commons
Os textos de Entre Voos disponíveis em http://entrevoos.blogs.sapo.pt/ estão disponíveis com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Favoritos