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Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Entre Voos

A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. "Entre Voos" é um espaço de sentimentos feitos palavras, onde se espera pela vida como por um voo na sala de um qualquer aeroporto...

Quando esse dia chegar, senta-te ao meu lado e pede-me que fale de ti...

por Entre Voos, em 15.03.16

 

Chegará um dia em que não te lembrarás do primeiro dia em que nos vimos. Chegará um dia em que já não preencherei o teu universo e tu já não chegarás ao final da tarde ansiosa pelo calor dos meus braços. Chegará um dia em que as alianças que um dia oferecemos um ao outro te parecerão grilhões sem sentido...

 

Haverá um dia em que a nossa viagem parecerá demasiado longa e o silêncio entre nós, dantes tranquilo, te parecerá incómodo. Haverá um dia em que a minha pele te parecerá áspera e a minha voz irritante e mesmo o mel dos meus lábios, outrora doce, te saberá amargo. Chegará um dia em que a minha barba, ao invés de um delicioso arrepio sensual, te provocará apenas desconforto. Haverá um dia em que a tua mão macia aninhada na segurança da minha te parecerá um afeto desnecessário. Chegará um dia em que os caminhos da nossa descoberta conjunta te parecerão erros imperdoáveis, e as nossas fotos, em vez de memória, ocuparão apenas espaço no teu computador. Chegará um dia em que os meus textos de amor, que ontem adoraste, te soarão apenas como palavras alinhadas, ocas. Haverá um dia em que os meus passos nas escadas, no passado esperados com alegria, substituirão a saudade do abraço pela desilusão da presença controladora...

 

Eu sei… Chegará um dia em que a tentativa dos meus dedos para acariciar o teu cabelo te provocará apenas um recuo, e a borboleta que outrora esvoaçava no teu estômago quando ouvias a minha voz, se retirará para um casulo bem lá no fundo de ti. Chegará um dia em que não mais recordarás todas as viagens que fiz para ir ter contigo a todas as cidades onde estavas, em que perderás no nevoeiro dos dias iguais os sonhos que voei contigo nos beijos que te dei. Haverá um dia em que os teus olhos transportarão lágrimas amargas e o teu coração não me sentirá da mesma forma… Haverá um dia em que para ti me tornarei dúvida e não conseguirás ver que em mim continuas certeza…

 

Quando esse dia chegar, senta-te ao meu lado e pede-me que fale de ti... E depois ouve-me a falar da chuva que nos encontrou abraçados no meio de um prado naquela ilha fantástica, ou do vento que soprou os teus cabelos quando te disse, olhos nos olhos, que te amava… Falar-te-ei do calor da tua pele e da incontida felicidade de ter simplesmente as mãos dadas contigo sem precisar de mais nada no mundo; falar-te-ei dos olhos pelos quais todos os dias me apaixono e na forma como mudam de cor quando estás alegre, triste ou chateada… Falar-te-ei das músicas que gostas e das cores que detestas, e dos seis sorrisos diferentes que me consegues fazer, e do calor que a tua alma me transmite quando estamos juntos, e do desejo que incendeias em mim quando te aproximas, sedutora… Falar-te-ei da primeira vez que nos amámos iluminados pela lua cheia e nos prometemos “para sempre”... Falar-te-ei de como o reflexo da luz no ouro dos teus longos cabelos me deixa sempre sem respiração e de como o teu perfume me faz sentir o homem mais sortudo do mundo... Pede-me para falar de ti, mas não te admires se eu apenas conseguir dizer o teu nome, outra e outra vez, com um sorriso apaixonado a contornar o meu rosto enquanto seguro as tuas mãos, as mãos que me definem... Quando esse dia chegar, amor, senta-te ao meu lado e pede-me que fale de ti...

 

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Regressar a casa é a melhor parte do dia…

por Entre Voos, em 09.02.16

 

Regressar a casa – regressar a ti – é a melhor parte do dia. Apesar da chuva, o regresso é sempre feito com a satisfação natural da antecipação do teu abraço, do teu beijo quente, do teu “Então? Como correu o dia?”… Na lareira estarão a arder dois toros de madeira, a casa estará preenchida com o cheiro do arroz doce acabado de fazer e, na sala, a música íntima do Michael Bublé conspira para que te ofereça um beijo apaixonado, como se tivesse saído de casa há uma semana atrás…

 

O caminho de regresso a casa é uma avenida larga e plácida, na antecipação de saber que em breve, quando estivermos juntos, todas as ansiedades acumuladas irão desaparecer naquele abraço que nos deixará inteiros; é saber que irei respirar o perfume que se liberta do teu longo cabelo macio e que, nesse instante, farei as pazes com o mundo inteiro, deixando que um sorriso largo se abra no meu rosto…

 

Regressar a casa é a melhor parte do dia… É regressar aos braços que me dão sentido, é regressar aos lábios que me alimentam, à pele que me abriga, à alma que me define e me torna mais forte, é chegar ao destino que sempre soube que eras… Chegar a casa não é chegar a estas quatro paredes que nos envolvem: é chegar aqui e saber, na forma como me olhas, que te pertenço e ficar feliz por isso...

 

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"Fala-me de um dia perfeito..."

por Entre Voos, em 02.02.16

 

Acompanhada pelo trompete de Chris Botti, a voz de Sting pairava no ar criando o ambiente apropriado ao momento de descontração e intimidade que se sentia na sala. Deitados no sofá, as costas dela encostavam-se serenas ao peito dele, enquanto pensava que a sua vida encaixava perfeitamente no abraço seguro que a envolvia, como se nada mais lhe importasse naquele momento... Ele ia-lhe beijando a pele macia do pescoço, de vez em quando, e a sua barba provocava nela deliciosos arrepios de protesto…

 

"Fala-me de um dia perfeito..." – pediu-lhe com a sua habitual voz, sedutora como a superfície de um lago tranquilo, num desafio ao silêncio morno que se instalara enquanto enrolava, distraída, uma madeixa do seu longo cabelo louro. Ele sorriu, ajeitou-se ao lado dela, ganhando espaço para a voltar de frente para si, de forma a poder olhá-la naqueles olhos meigos e profundos pelos quais se apaixonava todos os dias desde que a conhecera…

 

“Um dia perfeito” – começou – “é cada dia em que me permites passear os meus dedos pelo teu cabelo macio e sentir que vais estar aí, dando sentido às nossas noites de outono e inverno, na construção de dias de primavera e verão…”. Enquanto o dizia, os dedos da sua mão esquerda penteavam-lhe o cabelo para trás, desviando-o dos olhos e das orelhas pequenas que tantas vezes lhe ouviram palavras de deleite…"Um dia perfeito é cada dia em que o tempo só faz sentido ao lado da pessoa que o consegue parar quando nos olha, como tu fazes..."

 

Fechou os olhos e inspirou fundo a fragrância que o cabelo dela libertava, inebriado. “Um dia perfeito é cada dia em que posso sentir o teu perfume tão perto e, assim, ter o paraíso ao alcance de um beijo na tua face de anjo… ” - disse-lhe, para lhe tocar suavemente com um beijo meigo em cada pálpebra e depois, apaixonado, na curva que a boca dela desenhava ao sorrir… "Um dia perfeito é cada dia em que perco a respiração quando nos despedimos de manhã para só voltar a respirar no final da tarde, ressucitado no calor dos teus lábios..."

 

“Um dia perfeito" – continuou – “é cada dia que começa com o som da minha voz a desejar-te bom dia e termina com os teus pés frios encostados ao calor dos meus, debaixo dos lençois brancos que escolhemos para a nossa cama… Um dia perfeito é cada dia em que o meu coração percorre contigo as horas ingratas em cada passo que dás longe de mim, sabendo que o trabalho é apenas uma forma de ocupar o tempo até voltar a estar contigo…”

 

Deixou que o silêncio entre eles alojasse o solo do trompete da música que continuava a ouvir-se e acariciou-lhe o rosto, olhando-a nos olhos enquanto concluía: “Sim, um dia perfeito é qualquer um passado contigo, juntos ou afastados, com a certeza que, se um dia nos perdermos na estrada que estamos a construir, conseguiremos sempre encontrar o caminho de regresso seguindo a luz que cada um acendeu na alma do outro… Um dia perfeito é cada dia em que posso dizer, olhando-te assim, que te amo...” Ela sorriu como só ela sabe sorrir, fingindo resistir quando ele a puxou para si para lhe tomar os lábios sensuais, perguntando-lhe: "Que vais fazer amanhã?... E no resto da tua vida?..."

 

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Os resquícios que deixaste no baú dos nossos dias felizes...

por Entre Voos, em 07.12.15

 

 

Dizem que, quando nascemos, nos é dada a possibilidade de experimentar dois ou três milagres, talvez quatro, com sorte, e que isso acontecerá algures ao longo da nossa existência... Mas a vida não é um exercício de estética: não se pode voltar atrás para corrigir palavras, vírgulas, nem para substituir ou alterar parágrafos para o texto ficar mais interessante... A vida não é sempre perfeita, de chão limpo, gavetas com as roupas simetricamente arrumadas, a face bonita com olhos retocados com rímel, as refeições à luz das velas, o ramo de rosas vermelhas em que cada uma conta uma história, o sexo incendiado, o amor tranquilo, os gestos acertados em cada momento, o beijo do tamanho da eternidade… A vida acontece pura e simplesmente: abraça-nos, despenteia-nos, agride-nos, ama-nos, eleva-nos, açoita-nos, mima-nos, leva-nos por bons caminhos, noutras vezes por dolorosos caminhos, mas todos eles percursos que se fazem caminhando, tentando, acreditando e melhorando, ora gritando de alegria, ora em recolhido silêncio e paz…

 

O nosso caminho foi... foi o nosso caminho: irrepetível, irretocável, foi o que foi, nem melhor nem pior do que deveria ter sido, foi exatamente perfeito na medida daquilo que todas as nossas opções fizeram dele. E nessa singularidade foi fantástico, maravilhoso, intenso, total, louco, belo, completo... Não foi por acidente que assim foi, mas por opção. Nesse voo fantástico o nosso abraço foi constante, cúmplice, de confiança mútua nas decisões que tomámos, de mãos dadas nas descobertas que fazíamos e, de facto, foi uma viagem incrível :o)

 

Na vida as palavras não são sempre certas (ahh, as histórias perfeitas na tua pele…), a música não é sempre ajustada (ahh, a doçura melodiosa da tua voz…), o momento não é sempre o melhor (ahh, o teu beijo sempre oportuno…). A vida são as nossas escolhas, as nossas decisões, as nossas aproximações e afastamentos, a nossa alegria e a nossa dor. São os amigos, os filhos, as hesitações, as certezas, as indecisões… Viver é também deixar lugar ao tempo, à paciência, ao crescimento, é acreditar que fazemos o melhor que conseguimos em todos os momentos… Mesmo quando uma parte de nós tem de morrer para salvar outra, tudo vale a pena: se salvamos a parte mais importante em nós, salvamos o mundo todo. Se uma parte de mim tem de morrer para te salvar, pois seja, salvarei o mundo todo...

 

Por isso, quero dizer-te que eu não sou apenas as palavras que escrevo. Sou mais que isso: sou imperfeito (mas todos os dias procuro o meu melhor!), incompleto (sempre que estou longe de ti!), cometo erros (mas tento novamente e com mais afinco!), sou emoção (e como te amo...) e ações (lembras-te de tudo o que fizemos juntos?)... Sou mais que as palavras que escrevo... Dizem, de facto, que quando nascemos nos é dada a possibilidade de experimentar uns poucos milagres e que isso acontecerá algures no caminho da nossa existência... O milagre dos filhos (claro, a douçura e o deslumbramento!) e o milagre do amor (tão completo, tão raro...). Sei hoje que foste o meu milagre de amor e estou-te grato: amo-te na perfeição de todas as tuas imperfeições, rendido aos resquícios que deixaste no baú dos nossos dias felizes...

   

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Carta à última mulher da minha vida...

por Entre Voos, em 01.12.15

 

Olá :o). A mais de 10 km de altitude, no voo que me trará de volta a casa, escrevo-te esta carta por ter a certeza que serás a última mulher da minha vida. Não sei se me consegues ouvir ou ler daí, desse sítio para onde foste, mas mesmo sabendo que há palavras que nunca chegam ao seu destino, nada me impedirá de soltar estas certezas ao vento. A vida também acontece entre voos, entre momentos, entre o ontem e o amanhã. Quem sabe se, um dia, após a demorada travessia pela solidão anónima das salas de espera onde vivem, estas palavras te encontrem e te façam sorrir com o mesmo carinho com que as escrevi para ti.

 

Não sei que futuro nos reserva o destino, mas sei que um dia, neste ou noutro tempo, voltaremos a estar juntos. Na doçura de cada palavra sussurrada, em cada gesto aconchegado por um abraço apaixonado, há um número incomensurável de futuros possíveis e, mesmo esses, são multiplicados por um simples piscar de olhos quando o sol se reflete no teu cabelo comprido, ou pelo fluir das emoções intensas sempre que as nossas mãos se tocam pela primeira vez em cada manhã, ou mesmo pelo instante a mais em que demoro a respiração quando, arrebatado, observo os milagres quotidianos que constróis. Mesmo assim, e apesar dessa vastidão de possibilidades, sei sempre onde quero estar: contigo.

 

Fazes-me falta, sabes? Sinto falta da tua presença pacificadora, pura, todos os dias. Sinto falta de dizer, à noite, ao deitar, que te amo. Sinto falta de acordar ao teu lado para te dizer, nas primeiras palavras que ouvirás ao acordar, que te adoro, que és uma mulher fantástica mesmo quando tens o cabelo despenteado e as marcas do lençol no teu rosto perfeito. Quero beijar os teus lábios doces no final de cada dia de trabalho e dizer-te que estás deslumbrante e que te desejo. Quero estar na tua cozinha a colocar a mesa para cinco enquanto preparas o jantar e falamos sobre as pequenas grandes coisas do dia. Quero estar ao teu lado quando ficas frustrada porque não consegues “chegar” a um aluno teu. Quero abraçar-te para te dizer com ternura que, apesar das dificuldades, tudo vai ficar bem. Quero fazer-te sentir, todos os dias, o privilégio que experimento por estar ao teu lado. Quero dizer-te que sei que és um anjo na minha vida e na nossa família...

 

Em todos os futuros possíveis do meu “hoje”, és a única certeza e, se depender de mim, em cada presente nunca haverá lugar para um único “tarde demais”. Quero que saibas que todas as manhãs te escolho a ti, para amar, mesmo quando aquilo que nos separa parece irremediável. Se for essa a tua vontade, irei contigo para onde quer que vás e, nessa altura, irei dizer-te todos os dias, olhos nos olhos, segurando nas tuas mãos de veludo, que és a última, que és a mulher da minha vida e que sou feliz...

 

GMT

1 de Dezembro, 2015

 

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